"Na experiência do absurdo, o sofrimento é individual. A partir do movimento da revolta, ele ganha consciência de ser coletivo, é a aventura de todos" (CAMUS: 1999, p.35).
domingo, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Resurrection
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O Idiota

São valores que se vão em cada ataque epiléptico, é uma gota de esperança que se esvai do corpo contorcido no chão. Um erro apenas, e aquele que segue sobre a linha pode cair e nunca mais voltar; para os tortos, o certo pouco existe, ou é apenas um dos lados dos quais fazem uso.
Eis a escolha do Idiota: ser um idiota, um pária, a sofrer pelos seus pequenos erros... Ou, aceitar a miséria do mundo, e ser como qualquer um... Não mais carregar as cruzes, não mais lutar contra moinhos...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Você que se vai...
Acolher seus diversos sobrinhos em uma manhã de sábado, encharcados e sujos. Trazê-los para o seu colo. Lembrava de todos em seus mínimos detalhes, surpreendia a importância que dava a cada um com quem pouco conversara. Cada ser tem seu encanto, seu lugar no mundo, e a miséria que nos cerca jamais pode ser desculpa para nos tornarmos monstros. Era essa sua lição...
Jamais ouvi uma palavra de recriminação saída de sua boca, compreendia a todos, deixava que vivessem suas vidas, já que ela já havia visto a maldade com sua pior face, tinha provado toda a capacidade humana de trazer dor e descontentamento, e mesmo assim, trilhou seu caminho com sensatez, ternura, ensinou muito a muitos; aprendi com ela...
Aqueles que um dia estiveram a seu lado não podem deixar de dever algo à vida, de se reconhecerem como privilegiados, conheceram a melhor pessoa possível, um modelo que se perde agora, mas que fica em nossas lembranças... sólido e duradouro...
Ela não foi uma pessoa, foi um valor!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
(...)
Um instante e todos os esforços mais nada significam. Muito justo, mas infinitamente triste. Do pouco conquistado o muito perdido. Uma irremediável tragédia escrita com antecedência.
Escapa pelas minhas mãos, pela minha incompetência e insensibilidade.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Reticente...
É aos poucos, devagar, ela vem sorrateira. É nos detalhes que o sorriso vem fácil. É como conquistar o mundo aos poucos, um pedaço por dia, batalhas que você vence pela insistência, mas que são doces, imprevisíveis, muitas vezes confusas e desencontradas, mas nem por isso imperfeitas.
Beber a vida como um vinho raro, enebriar-se com aquilo que é simples e belo... Descobrir que maravilhosas surpresas a vida nos guarda.
domingo, 8 de agosto de 2010
O pêndulo
Marcar os segundos, dar corda à vida. Eis que vai... Eis que volta! A vontade e o desânimo. A energia de conhecer o mundo, que acaba quando lembramos de seus absurdos. Como os ímpetos de um domingo à tarde, inspiram, mas não nos movem.
O ritmo. Eis que vai... Eis que volta! O controle e o excesso. Como caminhar contando os passos, não impõe os riscos, não desafia, merece o esquecimento.
É preciso provar todas as dimensões do pavor e do conforto. Sentir a falta de algo que não esteve presente é se perder em ilusões alheias. Oscilar e esperar. Eis que vai... Eis que volta!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Era manhã, como qualquer outra. Fria, mas um sol esperado e quente. Os mesmos pensamentos podem contaminar a mente mais sadia, transtorná-la, torná-la abjeta, pouco capaz de construir ilusões ricas de sentido. O que sobra de fantástico se o concreto se impõe como regra? Caminhos de uma rotina acabada se intercalam entre impossibilidades, a presença do azar ou da sorte!Esperava um gato preto, mas quem cruzou seu caminho foi um coelho branco. Uma grande ironia, ou uma mensagem para pensar, interpretar...
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Escolhas...
Mas o erro é algo constante para aqueles que escolhem, que ousam decidir o que seja... Esse tal de livre-arbítrio é a droga das mais fortes, nos convence de que sabemos aquilo que é melhor para nós mesmos, ficamos tentados a arriscar um salto mortal de costas só porque nos disseram que era perigoso. É coragem ou irresponsabilidade... tanto faz, escolher, colocar a Marselhesa para tocar no ouvido dos seus vizinhos é muito fácil, difícil é sair na calçada quando chamarem a polícia.
sábado, 31 de julho de 2010
Inexplicável
Desejar demais... Aguardar o momento de realizar o irrealizável. Esperar e esperar. Descontar o futuro no presente. Da náusea à satisfação há uma grande distância, que perpassa todos os obstáculos ao possível. Espere o que for, mas não espere o explicável. Isso foge...
domingo, 25 de julho de 2010
Tree O'Clock Blues

É disso que a música fala, que Rei complementa com as notas da sua guitarra. Você se valeu de suas pernas, trilhou seu caminho como todos, era o seu, o de mais ninguém, era o improviso que você podia fazer, corra atrás dos tempos, senão o bumbo lhe escapa!
Pense! As perdas e os dilemas são fáceis? Enfrentar a estrada empoeirada, dormir sob a sombra de uma árvore em uma encruzilhada, chorar pela mulher amada... Um blues na madrugada, uma garrafa de qualquer coisa, tudo para dar errado, e apesar disso estão lá, as batidas são as mesmas, o baixo arrasta as mesmas notas, e a voz de Rei leva o resto, e quem não vai seguí-lo? Ele é o rei!
well now its three o' clock in the mornin
and i cant even close my eyes
three o' clock in the mornin
and i cant even close my eyes
cant find my baby
and i cant be satisfied
São três da manhã e ele não se cansa, é o chiado da caixa valvulada e as notas da sua Gibson estridente. É hora de dormir, é o Blues das três.
sábado, 17 de julho de 2010
Próxima parada!
Lévi-Strauss dizia que em nossas sociedades modernas e complexas o mito só se processaria no indivíduo, daí nossas neuroses talvez, nossas incapacidades de darmos sentido a essas cadeias simbólicas processadas inconscientemente.
Qual seria então o meu mito individual, seria o do eterno filho pródigo? Daquele que sempre volta para onde não mais consegue se encaixar, e que quando se vai, deixa parte de si para trás. Qual será o ponto de partida e o de chegada, se os referenciais se misturam? Será para onde volto o lugar que abandonei, ou de onde parto o meu lugar de origem?
Minhas raízes não se prendem mais ao solo, por mais força que façam, são frágeis, se arrebentam toda vez que me arranco de um lugar ao outro... quando tento me recompor percebo não estar tão seguro, não existem mais oásis de descanso, somente salas de espera, "não-lugares" assépticos, nos quais a vida se alimenta de pouco mais do que seus restos. A segurança acabou, o único calor agora é aquele da fogueira do acampamento.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Let this river flow
Do que é singelo obtemos apenas o desprezo por algo tosco e mal acabado. Precisa ser transformado, tornado incompreensível, para depois nos engolir e dificultar nosso viver; queremos nos sentir grandes mártires por estarmos vivos, e enfrentarmos a realidade como quem reproduz a jornada mítica,de um herói que já morreu há tempos, mas que deixou sua herança sórdida que coloca tudo como um grande desafio.
Fazemos de copos d’água grandes tormentas, pequenos erros transformam-se em catástrofes, a ponto de um fracasso valer por toda uma vida. Você ganha ou você perde, é sempre uma coisa ou outra, quando sempre há uma terceira coisa! Não pise fora linha! Quando ela nunca existiu, é como o equador, uma marcação imaginária, que lhe dará no máximo um mapa que nunca será em escala real, ou será que emoções se medem por graduações conversíveis? É deixar as coisas correrem, do resto o tempo se encarrega...
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Vigília
Essência
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Aos amigos
O que dizer desses sujeitos? Pessoas normais coisa nenhuma! Ninguém dentro da normalidade faz isso hoje em dia. Eles resistiram ao seu tempo, não deixaram que seus dias enfraquecessem seu caráter, continuaram firmes, como seguidores fiéis de valores ultrapassados. Podem sentir as angústias da realidade, mas como quem prova um sabor amargo que logo se desfaz; são fortes, moldados em pedra, estão ali, ou melhor, sempre estarão ali.
Só o que posso fazer é ser grato pela sorte de estar cercado de gigantes, eu que sou tão pequeno.
Simplicidade
Agora é mais... mais complicado, mais difícil, menos compreensível. As pessoas se tornaram enigmas, e o que faço, um grande contra-senso. A cada dia penso mais que a vida simples que um grande amigo meu sempre defendeu seja o caminho mais saudável até a velhice, já que estar nesse mundo parece nos deixar duas alternativas: envelhecer ou enlouquecer.
domingo, 11 de julho de 2010
Caos
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Meus demônios
Divagações na madrugada
Sensações que invadem toda minha existência, nego todo o absurdo do mundo, pois aceito minha ilusão como a perfeita concretização de meus intuitos; sou nada mais que um peregrino sobre a terra, um esmiuçador de conceitos, um destruidor de ídolos mal fundamentados, quero a guerra dos intelectos, a contenda, a vendeta, a morte, o que seja de mais sangrento, mas que seja!
Oscilações, sempre variando, se eu acompanhar os ritmos de minhas ilusões me perco em satisfações alheias. Completude? Risos ao infinito, a morte do único foi há muito tempo, Stirner estava errado, morro pelos outros, a cada minuto de minha existência!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Conversa de surdos
Mesmo deixando tudo muito bem definido, explicando aquilo que vem à tona e até o que está subjacente, a confusão permanece... É o absurdo que constitui a vida, o mais inexplicável absurdo; ou aceitamos ele, ou enlouquecemos, ou nos tornamos monstros, o que acaba sendo tudo a mesma coisa.
Tomar o controle de si diante desse turbilhão de sentimentos incompletos é quase impossível frente a uma realidade que apresenta cada vez menos sentido. É se preocupar demais, ser analítico demais que acaba deixando evidente a lógica que opera nosso mundo. É um grande absurdo, o mais inexplicável e complexo absurdo, não é algo que está nos livros, ou nos manuais de como se viver a vida, é algo que é intrínseco ao nosso olhar e pensar, é o grande paradoxo de se estar vivo. Em suma, um grande absurdo, uma conversa de surdos.
Tropeços
Não adianta olhar para baixo, você vai tropeçar!
Não basta andar devagar, o chão é o limite!
Prudência é essencial, mas o tombo é inevitável!
Ninguém aprende a cair, ninguém começa nada achando que vai se arrebentar, só os idiotas fazem isso, ou os masoquistas...
Talvez o segredo seja aprender a se levantar... repetidas e infinitas vezes!
terça-feira, 6 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Perfeição em poucas palavras
Cotidiano
RESTAURADO...
Será que você vai resistir ao meu próximo ataque de fúria?
Humano, demasiado humano...
Agora é a pedra que bate, sem cerimônias, como um músculo negro que apenas reage aos estímulos de meu cérebro. Abandono tudo agora, as belezas e as tristezas, o claro e o escuro, o falso e o verdadeiro. Agora não mais desejo enxergar um palmo além da minha prudência; minha racionalidade me governa, minha ciência é meu refúgio.
Não mais desejo... Almejo, objetivo, quero com o cuidado de quem alimenta uma fera domesticada. Optei pela calma, pelo seguro, pelo seco, pelo entediante. Não mais espero o inesperado, pois calculo ao invés de sentir.
Mato o demônio em mim, para fazer negócio com outro mais burocrático.
Ousar custou-me a alma.
Mas apesar de tudo ainda sou HUMANO, DEMASIADAMENTE HUMANO...
Basta!
Chega de descontar o futuro no presente.
Basta de sofer por aquilo que talvez jamais acontecerá.
Os projetos podem esperar, as dores de cabeça podem ficar para amanhã...
Do vazio do não fazer abarcar o mundo, e esquecer que às vezes há o certo e o errado.
Quero carregar somente aquilo de que preciso, como as primeiras sociedades da abundância, vagar e não ser encontrado, levantar minha tenda e desmontá-la quando me cansar da paisagem.
Vender minha alma para o diabo e não pagar, enganar a todos com um sorriso....
Basta!
Sem contrariar o mestre
Talvez com um pouco menos de magia, e um pouco mais de ranço...
E fez-se a crítica!
Quantas pessoas boas, corretas e engajadas temos hoje em dia. É algo difícil de entender, nosso mundo em frangalhos, uma crise moral em pleno desenvolvimento, e um bando de paladinos dos verdadeiros valores humanos anti-capitalistas arrotando o certo e o errado por aí.
É... Ideal já diz tudo; é idealizado, é para ficar no plano das idéias, do impraticável. É na verdade o combustível da crítica, de quem não faz e pisoteia aquilo que foi feito, de quem quer se eximir de compromissos mais práticos devido a uma afirmada incompatibilidade de valores.
Há desculpa para tudo, até para a falta de responsabilidade e sentido de realidade.
Os ismos... Marxismos, comunismos, anarquismos, idiotismos, quando adotados como verdades absolutas, são na verdade o falatório de uma tropa, ou vanguarda - como eles mesmos preferem -, que proferem o apocalipse de nossa civilização como quem quer nos salvar de nós mesmos.
Desculpe-me por ser humano! O super-homem nietszcheano do nosso tempo tem capa vermelha e bebe coca-cola, ao mesmo tempo, em que lê o Capital.
E fez-se a crítica!
