Os indícios que Ginzburg tanto procurou, nos mostram pequenos pedaços, amostras de todos, respostas subliminares para as nossas aflições. Há um equilíbrio agindo, maior que nosso entendimento, a naturalidade de um caos que pouco se preocupa em se ordenar... Não há uma consciência, um destino, um supra sujeito operador dos infortúnios, apenas ciclos intermináveis de idas e vindas, de evoluções e involuções, identificações e diferenciações... Em alguns momentos as explicações nos surgem, como lampejos de lucidez sob a luz de mensagens impossíveis de serem interpretadas pela razão analítica, não da forma como a concebemos...
O místico não precisa ser irracional, matéria de loucos ou charlatães; ele pode muito bem ser aquilo que não precisamos fazer força alguma para entender; a compreensão é automática, como algo instintivo, como matéria de um ritual esquecido, ou assunto de xamãs perdidos na selva. Uma sabedoria que negamos a nós mesmos.
Eu entendi, no momento que eu precisei das respostas... Mais uma vez a ciência se mostra necessitada de resignificações, de outros paradigmas mais viscerais, que respondam às correntes elétricas que vagam pelas nossas sinapses, assim como aos impulsos da libido. Somos carne e ossos, espírito e dados, razão e sangue... Pouco mais que gráficos.... Daí os coelhos brancos, as sombras nos corredores, as correntes arrastadas no sótão...



